ALLAN KARDEC
Hippolyte Léon Denizard Rivail doi um influente educador,
autor e tradutor francês. Sob o pseudônimo de Allan Kardec, notabilizou-se como
o codificador do Espiritismo, também denominado Doutrina Espírita.
Allan Kardec é o primeiro enviado dos céus, no campo
religioso, da revelação espiritual a ser um professor. Quando olhamos a
história conhecemos Moisés, Paulo, Pedro, Sócrates... mas nenhum era professor.
Prof. Rivail tinha um instituto dedicado ao ensino, escreveu
livros didáticos e era tradutor de várias línguas. Ele ensinava aos jovens
utilizando perguntas e respostas de diversas matérias.
Tudo contribuiu para o seu trabalho como codificador dos
ensinos repassados pela espiritualidade e não há dúvidas de que ele tenha
exercido seu papel com maestria.
FAMÍLIA
E tudo começou em 1793 com o casamento de seus pais,
Jean-Baptiste Antoine Rivail e Jeanne Louise Duhamel, em meio a um momento
turbulento da história política da França. Logo após o fim da Revolução
francesa, em 1789, iniciou-se um período de perseguições políticas. E a família
de Ravail foi profundamente marcada por essas turbulências. O pai preso e após
desaparecido e o avô morto na guilhotina.
Em 1796 a mãe dá luz ao primeiro filho, chamado Augusto
François. E logo após, em 1799 nasce a irmã, Marie François. Porém, alguns anos
depois os dois morrem.
Em 1804 ela se descobre grávida em meio a este ambiente
cheio de perdas e incertezas e com fortes abalos emocionais. Assim ela se
retira a um estabelecimento de águas minerais (como um SPA) em Lyon e neste
ambiente mais calmo e com acompanhamento médico; nasce Hippolyte Léon Denizard
Rivail em 3 de outubro deste ano.
ESTUDOS E INÍCIO DA
CARREIRA ACADÊMICA
Nascido numa antiga família de orientação católica com
tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o
estudo das ciências e da filosofia.
Iniciou os seus estudos muito cedo, por volta dos 10 anos
foi enviado a Escola de Pestalozzi, no Castelo de Yverdon, em Yverdon-les-Bains,
na Suíça. Nesta escola, foi percebido seu domínio na matéria e logo aos 12 anos
era um dos monitores da escola.
Estudou diversas disciplinas do curso normal do Instituto,
complementando-os com o estudo da teologia, filosofia e diversas línguas, bem
como adquirindo consistentes conhecimentos em medicina.
Ainda em Yverdon, aos 19 anos, interessou-se pelos estudos
do magnetismo, na época, alvo do interesse dos maiores sábios e médicos da
França e outros países europeus. Todas as vezes que Pestalozzi se ausentava do
Instituto, Rivail assumia sua direção.
Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu
país natal e continua a estudar, levando na alma, as lições inesquecíveis do
grande educador, cuja influência moral jamais deixaria de inspirá-lo.
Com apenas 20 e poucos anos já escreve livros, contribui com
orientações pedagógicas ao governo francês sobre o cuidado com os
estabelecimentos de ensino do país.
Em 1824, publica, em Paris, suas primeiras obras:
“Aritmética do 1.º Grau” e um “Curso Teórico e Prático de Aritmética”, segundo
o método de Pestalozzi (dois volumes).
Em 1835, em Paris, ele funda o Instituto Rivail, escola
dedicada a educação intelectual de jovens.
Publica vários outros livros com ampla aceitação em todo o
país, sobre matemática, língua francesa, física, fisiologia e astronomia.
Muitas de suas obras foram adotadas pela Universidade da França, o que atesta o
seu alto valor .
Tornou-se conhecido na Alemanha por traduzir para o alemão
várias obras de educação e de moral, principalmente de Fénelon, que
“coincidentemente”, viria a ser uma das entidades espirituais que lhe
transmitiram vários conhecimentos na obra de codificação do Espiritismo.
AMÉLIE BOUDET
Nascida dia 22 de novembro de 1795, Amélie Gabrielle Boudet.
Intelectual, 9 anos mais velho que Rivail , distinta professora, uma jovem
culta, poetisa, pintora e também estudava e publicava livros.
Aos 27 anos, casa-se com a senhorita Amelie Boudet que desde
o início demonstra muita afinidade e carinho.
O CONTATO COM O ESPIRITISMO
Em 1854 Rivail, com 50 anos, é um mestre respeitado e
escritor reconhecido.
Nesse período, na França, e em toda a Europa, despertava a
atenção da sociedade os fenômenos das chamadas “mesas girantes”, vinda dos EUA.
Pessoas de todos os níveis culturais e sociais, e de
diferentes religiões, participavam de sessões em que se realizavam fenômenos de
efeitos físicos. Numa época em que não havia televisão nem rádio, os
passatempos para ocupar os serões de sociedade eram a conversa, os charutos,
e... os jogos. E foi assim que as mesas girantes começaram por ser vistas. Como
um jogo de perguntas e respostas.
A maior parte das pessoas que tomavam parte no divertimento
nem se interrogavam sobre o "como" e o "porquê" de as mesas
darem respostas às perguntas por meio de pancadas. Nem sequer de se levantarem
e de girarem no ar, sem apoio, de estalarem, de se erguerem no ar e de se
deixarem cair no chão, partindo-se, com estrondo!
Nessas reuniões, festivas exibições, as mesas se movimentavam,
respondendo, por códigos, às perguntas feitas pelos participantes. Embora
realizadas por diversão, se obtinham comunicações, que demonstravam uma base
inteligente. Podemos entender então porque se esses fenômenos terem se tornado
moda na sociedade frívola de Paris.
Rivail,de carácter sério, pouco dado a frivolidades, e que
se mostrou incrédulo e declinou os convites que lhe fizeram para assistir às
sessões de "mesa girante". Só após muitos apelos é que assentiu a
deslocar-se a uma dessas sessões, e apenas porque a seriedade de quem o
convidou o persuadiu que poderia tratar-se de algo merecedor de atenção.
Foi Sr. Pâtier, magnetizador conhecido do professor Rivail e
um outro seu amigo, Carlotti que
chamaram-lhe a atenção sobre tais acontecimentos, aparentemente inexplicáveis.
Curioso sobre os mistérios da hipnose, do sonambulismo, do
magnetismo e da eletricidade, ele dizia que os corpos reunidos geravam uma
força eletromagnética extraordinariamente forte, capaz de movimentar objetos.
Quando conheceu o fenômeno pessoalmente, em uma terça-feira de maio de 1855,
percebeu que a explicação não era tão simples.
Na data, foi convidado para assistir a uma reunião na casa
da Sra. Plainemaison, presenciou, pela primeira vez, o fenômeno das mesas que
giravam, saltavam, e respondiam às perguntas formuladas pelos presentes.
Inicialmente tentou encontrar explicação na eletricidade para o que estava
vendo, mas sem conseguir explicar.
Allan Kardec, mais tarde escreveu: “Entrevi naquelas
aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer
coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim mesmo
investigar a fundo”.
Ali o professor ficou impressionado. As mensagens tinham
linguagem diferente da que os médiuns usavam no dia a dia e com um grau de
conhecimento da vida privada dos visitantes que não tinham como possuir. O
pesquisador então elencou uma nova hipótese: a de que a realidade visível não é
a única que existe. E que espíritos são tão reais quanto o mundo microscópico e
as forças físicas invisíveis, como a lei da gravidade.
Rivail, profundamente interessado, e com sua sólida base
científica e filosófica, mudaria o rumo dos experimentos. Observada a
veracidade dos fenômenos, raciocinou: "um efeito inteligente deve ter por
causa uma força inteligente”.
Assim, imbuído de seu caráter investigativo e criterioso,
lançou-se à ingente tarefa de classificação das milhares de mensagens, o que
constituiria, posteriormente, na codificação do Espiritismo.
Para isso, contou com o valioso concurso de três meninas que
se tornaram as médiuns principais no trabalho de compilação de O Livro dos
Espíritos. Durante 20 meses, o professor dedicou as horas vagas a entrevistar
dez diferentes espíritos, principalmente por intermédio de três garotas: Caroline
Baudin, Julie Baudin e Ruth Celine Japhet.
Então o professor Ravail começou a observar e a investigar
estes fenômenos. Descobriu que a mesa se agitava porque recebia uma energia que
partia da criatura humana. Então ele deu a criatura humana o nome de médium,
palavra latina que significa aquele que está no meio entre dois pontos. Mas ele
percebeu que para que o individuo fosse médium, ele necessitava de ter uma
faculdade paranormal, e o professor Rivail percebeu que denominou mediunidade.
Com o tempo, ele percebeu que a mesa não era necessária.
Primeiramente teve a ideia de utilizar uma cesta de vime, amarrando o lápis e
pedindo às meninas Baudin que colocassem os dedos na cestinha que flutuava e
escrevia. Logo depois, percebeu que não era necessário nenhum objeto entre a
mão do médium e o lápis. Então colocou o lápis na mão do médium e ele começou a
escrever. A psicografia.
Depois, ele notou que naquele estado paranormal o médium
entrava em um letargo, adormecia e falava. A psicofonia. E assim, as mensagens
verbais e escritas se tornaram mais fáceis do que aquelas por sinais. E assim,
se sucediam várias reuniões.
Em uma dessas reuniões, em 1956, começaram a chegar
informações acerca de sua tarefa na terra. Era necessário derrubar a velha
árvore e fazer nascer a árvore nova do cristianismo redivivo.
Nelas, ele recebe diversas informações, algumas se referindo
ao seu passado como um druida, de onde veio o pseudônimo Allan Kardec. Através
de Zéfiro, espírito guia da família Boudin, Rivail tomou conhecimento de que se
chamara Allan Kardec, numa existência anterior, ao tempo de Júlio César, na
Gália (antigo nome do território francês). Esse espírito amigo, esclareceu
ainda ser o professor Rivail um antigo sacerdote gaulês - um druida
Zéfiro revelou ainda que Rivail estaria novamente nas lutas
terrenas para cumprir importante missão espiritual. Mais tarde, outros
espíritos amigos e protetores confirmariam essa revelação.
Durante seu trabalho, Kardec conta com ajuda de diversos
benfeitores, encarnados e desencarnados. Amélie Boudet foi mais que simples
esposa. Ela colaborou muito com a promoção o Espiritismo no início.
Todos lhe prometiam auxílio, encorajavam-no e
aconselhavam-no a ter perseverança e discrição. Rivail adota então o pseudônimo
de Allan Kardec e o trabalho se torna sério e organizado.
A escolha do uso do pseudônimo foi feita por ele, ao
analisar eu seu nome, já conhecido academicamente, iria despertar interesse de
pessoas para a obra. Porém, ao apresentar o livro em um nome desconhecido, o
conteúdo falaria mais forte. E hoje conhece-se mais Allan Kardec do que Rivail.
Os primeiros exemplares do livro deixaram a Tipografia de
Beau, na cidade de Saint-Germain-en-Laye, em 18 de abril de 1857 – a data
oficial do nascimento do espiritismo, nome criado por Kardec, apresentado da
seguinte maneira: “A crença espírita, ou o espiritismo, consiste em acreditar
nas relações entre o mundo físico e os seres do mundo invisível, ou espíritos”.
Rapidamente, Kardec suplantaria Rivail em fama e
reconhecimento: a primeira edição da obra inaugural do espiritismo, vendida a 3
francos a unidade, foi esgotada em dois meses.
Em 1º de abril de 1858, reuniu as dezenas de seguidores que
havia arregimentado com a publicação do livro e fundou a Sociedade Parisiense
de Estudos Espíritas. Enquanto recebia visitas de médiuns, mais ou menos
sérios, cartas pedindo ajuda e textos psicografados, novas traduções e edições
eram publicadas na Revista Espírita.
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